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'Não é caro par aos padrões de Hollywood", diz Flávio Bolsonaro sobre investimento em "Dark Horse"

Publicada em: 18/05/2026 15:40 -

Foto: Reprodução/ Redes sociais

Em meio às revelações da relação fisiológicas de Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, com o clã, Eduardo Bolsonaro (PL-SP) tentou, mais uma vez, se descolar do caso, que atingiu frontalmente o irmão Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em entrevista ao fiel escudeiro Paulo Figueiredo, ele classificou como “barato para os padrões de Hollywood” a produção de Dark Horse, filme sobre o pai que receberia 24 milhões de dólares do banqueiro, e disse que vive nos EUA de rendimentos de Pix enviados por Jair Bolsonaro (PL).

“É um filme que, para quem não conhece, vai pensar que é super caro. Não. Para os padrões de Hollywood, não. E ainda assim, o que eu sei é que não conseguiu se captar tudo aquilo que o projeto inicialmente previa. O valor (R$ 134 milhões) não é exorbitante, é até barato para os padrões de Hollywood”, afirmou Eduardo.

Só valor que seria financiado por Vorcaro, de 20 milhões de dólares ou R$ 134 milhões, supera em três vezes o investimento de “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional em 2025, que custou cerca de R$ 45 milhões.

O contraste fica ainda maior quando a comparação é feita com “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, apontado com orçamento estimado em R$ 28 milhões. Nesse caso, “Dark Horse” seria cerca de 4,8 vezes mais caro.

Com os 24 milhões de dólares de Vorcaro, também seria possível produzir 15 dos últimos 20 longas vencedores do Oscar de melhor filme.

Bancado por Vorcaro

Na entrevista a Figueiredo, realizada na noite deste domingo (18), Eduardo ainda tentou se explicar novamente sobre as informações de que seria bancado nos EUA com parte dos milhões de dólares enviados por Vorcaro ao fundo Havengate, que é administrado por Paulo Calixto, advogado do filho “03” de Bolsonaro.

“Porque essa é uma narrativa que ficou muito forte na imprensa nos últimos dias, que é a Havengate teria sido criada para financiar o Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Negativo, negativo”, afirmou.

A declaração, no entanto, contrasta com o que disse o deputado ao jornalista João Batista Jr, da revista Piauí, em reportagem divulgada em setembro de 2025. A conversa teria ocorrido durante almoço em Washington em 23 de julho passado.

“Esse valor não dá nem para dar entrada numa casa”, disse à época, reclamando dos R$ 2 milhões enviados pelo pai – ele repassou R$ 200 mil a esposa, Heloísa Bolsonaro.

Na conversa, Eduardo ainda que “tem pessoas que me ajudam, mas não sou obrigado a falar disso. Não é dinheiro público”. Sobre as passagens para se deslocar pelos EUA, o deputado cassado ainda afirmou que quem paga “é um amigo do amigo do meu pai”.

Compra de casa

O labirinto financeiro que envolve os repasses milionários do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para a cinebiografia de Jair Bolsonaro ganhou uma nova e explosiva conexão imobiliária. O Mercury Legacy Trust, um fundo privado de gestão de patrimônio nos Estados Unidos, adquiriu em fevereiro uma luxuosa casa em Arlington, no Texas, exatamente a mesma cidade onde vive, sob “asilo político”, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

O imóvel foi comprado pela bagatela de R$ 3,6 milhões. O que torna a transação um alvo incandescente para a Polícia Federal é o DNA societário do fundo: o Mercury é diretamente vinculado às empresas de Paulo Calixto, advogado pessoal de imigração de Eduardo Bolsonaro em solo norte-americano.

Calixto também é o administrador do Havengate Development Fund, a entidade sediada no Texas que recebeu os R$ 61 milhões doados por Vorcaro em 2025, a pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), sob o pretexto de financiar o filme “Dark Horse”.

A principal linha de investigação da Polícia Federal aponta para um provável desvio de finalidade cinematográfica para o sustento pessoal. Os investigadores suspeitam que os milhões repassados pela Entre Investimentos e Participações (empresa de Vorcaro usada para os depósitos entre fevereiro e maio de 2025) não foram integralmente para a produção do filme, mas sim triangulados para custear a vida de alto padrão de Eduardo Bolsonaro nos EUA.

Mais do que isso: a PF apura se a complexa engenharia de fundos privados de patrimônio no Texas, instrumentos comuns na legislação norte-americana para ocultar os reais donos de um bem em nome de terceiros, foi montada especificamente para burlar os bloqueios judiciais impostos pelas contas de Eduardo no Brasil por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF).

Além de Paulo Calixto, outro nome central aparece nos documentos de compra do imóvel: André Porciuncula. Ex-policial militar e ex-braço direito de Mario Frias na Secretaria Especial da Cultura (idealizador do filme), Porciuncula é apontado por aliados como o “operador avançado” de Eduardo nos EUA e aparece como um dos responsáveis pela entidade que comprou a casa.

Ao dizer como se banca nos EUA, Eduardo falou que é de renda “passiva” – ou seja, dos rendimentos – dos cerca de R$ 2 milhões enviados por Pix pelo pai.

“Como vive Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos? Eu vivo de renda passiva, o que é público e notório, todo mundo viu. Foi o PIX que o meu pai fez para mim, né? R$ 2 milhões. É uma boa quantia, né?”, afirmou.
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