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Geopolítica dita o preço do agro: “Ninguém pode depender de um único lugar”, alerta especialista no Circuito Aprosoja

Publicada em: 19/06/2026 15:53 -

A instabilidade internacional e as decisões diplomáticas afetam diretamente o bolso do produtor rural em Mato Grosso. Essa foi a principal tônica da entrevista exclusiva concedida pelo professor Roque, especialista em geopolítica, à equipe de reportagem do portal Agência da Notícia, durante a passagem do Circuito Aprosoja pelo município de Confresa na noite desta quinta-feira (18).

​Na conversa, o especialista detalhou como conflitos armados e disputas comerciais a milhares de quilômetros de distância definem o valor do combustível, o custo dos fertilizantes e a flutuação do dólar no mercado nacional.

​O Agro no Tabuleiro Global
                     
​Segundo o professor Roque, a lógica econômica — baseada no lucro imediato — muitas vezes ignora os riscos de longo prazo que a geopolítica monitora com atenção. Ele destacou que o Brasil vive um cenário de extrema vulnerabilidade devido à forte dependência de poucos parceiros internacionais.
​"A lógica geopolítica é diferente da lógica econômica. Na economia, se você está ganhando dinheiro, está tudo bem. Na geopolítica não: se você ganha dinheiro, mas é dependente daquele país, você tem uma vulnerabilidade e essa conta vai chegar."
   
Dependência internacional ameaça competitividade do agro
​O especialista citou pontos cruciais que impactam a rotina do campo:
  • ​Insumos e Combustíveis: A alta nos combustíveis e os gargalos na chegada de fertilizantes importados são reflexos diretos de conflitos no Oriente Médio (como as tensões no Estreito de Ormuz) e da guerra na Ucrânia.
  • ​A Relação com a China: Se por um lado a guerra comercial entre Estados Unidos e China abriu portas para o Brasil vender mais soja para os chineses, por outro, criou uma dependência comercial perigosa.
  • ​A Posição do Vizinho Paraguai: Diferente do Brasil, o Paraguai adota uma postura singular na região ao manter laços diplomáticos com Taiwan, embora não escape da influência econômica indireta da China.
  • ​Alerta à Diplomacia Brasileira
​Embora o Brasil desfrute de uma posição geográfica privilegiada e protegida de conflitos físicos, o professor fez duras críticas à atual condução da política externa do governo brasileiro. Para ele, o alinhamento ideológico com o bloco formado por Rússia, China, Irã e Coreia do Norte coloca em risco a neutralidade histórica do país.
​"O governo brasileiro tem tomado lado por preferências ideológicas. A gente não pode ter uma política externa ideológica, nem de esquerda, nem de direita. O Brasil não quer brigar com a China, mas também não quer brigar com os Estados Unidos e nem com a Europa. Esse é o caminho."

​A entrevista completa e os desdobramentos dos debates do Circuito Aprosoja em Mato Grosso você acompanha no vídeo abaixo do portal Agência da Notícia.
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