Queda das famílias Riva e Campos: Mendes aponta fim de uma era e diz que urnas “deram a cada um aquilo que merecia” em MT
As Eleições Gerais de 2026 entraram para a história política de Mato Grosso ao promover uma das mais profundas mudanças no equilíbrio de forças do Estado nas últimas décadas. O resultado das urnas, confirmado neste domingo (4), derrubou importantes nomes ligados a grupos tradicionais que durante anos exerceram forte influência sobre a política mato-grossense.
O novo cenário foi comentado pelo ex-governador Mauro Mendes (União), eleito senador com mais de 1 milhão de votos. Durante a comemoração da vitória, realizada na Praça do Choppão, em Cuiabá, Mendes avaliou o resultado eleitoral e fez uma reflexão sobre a ascensão e a queda de grupos políticos que marcaram a história recente de Mato Grosso.
Sem citar diretamente nomes, o ex-governador afirmou que o eleitor mato-grossense soube avaliar o momento político e deu sua resposta nas urnas.
“O povo é sábio, o povo sabe tomar decisões e deu a cada um aquilo que merecia”, declarou Mauro Mendes.
A declaração ocorreu em meio a um cenário de fortes derrotas para famílias que, por décadas, estiveram entre as principais forças políticas do Estado.
Família Riva perde espaço após mais de três décadas
Um dos principais símbolos dessa mudança foi o desempenho da família Riva. A deputada estadual Janaina Riva (MDB), que disputou uma vaga ao Senado, não conseguiu se eleger. Jéssica Riva (MDB), por sua vez, também foi derrotada na tentativa de conquistar uma cadeira na Assembleia Legislativa.
O resultado representa o enfraquecimento de uma estrutura política construída ao longo de mais de 30 anos a partir da trajetória do ex-deputado estadual José Riva, que durante décadas ocupou posição de destaque na política mato-grossense.
José Riva chegou a presidir a Assembleia Legislativa de Mato Grosso e posteriormente enfrentou processos e condenações relacionados a esquemas de corrupção, além de ter sido preso.
Com as derrotas de Janaina e Jéssica, a família que durante décadas manteve representantes em posições estratégicas do Estado fica, agora, sem mandato eletivo.
Campos também sofrem forte revés
Outro grupo tradicional que saiu enfraquecido das urnas foi a família Campos.
A trajetória política dos irmãos Júlio e Jayme Campos atravessa décadas e inclui passagens por prefeituras, Governo do Estado, Senado Federal e Assembleia Legislativa.
Nas eleições de 2026, porém, o grupo sofreu uma sequência de derrotas que pode representar o encerramento de um dos mais longos ciclos de influência política de Mato Grosso.
Jayme Campos sequer chegou à disputa pelo Governo do Estado. Durante a convenção partidária, sua tentativa de lançar candidatura ao Palácio Paiaguás acabou derrotada dentro do próprio grupo político liderado por Mauro Mendes.
Júlio Campos, por sua vez, tentou permanecer na Assembleia Legislativa, mas não conseguiu renovar o mandato. O ex-governador e ex-senador recebeu 18.517 votos e ficou fora da próxima composição do Parlamento estadual.
“Tudo tem começo, meio e fim”, diz Mendes
Questionado sobre o enfraquecimento de grupos tradicionais, Mauro Mendes evitou decretar o fim definitivo das famílias na política.
Segundo ele, derrotas eleitorais não necessariamente significam o desaparecimento de uma liderança, já que políticos podem voltar a disputar eleições e recuperar espaço no futuro.
“Olha, eu não posso dizer isso, né? Existe aí uma perda. Já vi pessoas perderem eleição e ganharem depois”, afirmou.
Na sequência, Mendes fez uma reflexão sobre os ciclos da vida e da política.
“É natural que na vida tudo tem começo, meio e fim, inclusive a própria vida, inclusive aquilo que nós fazemos nela”, completou.
O resultado de 2026, entretanto, deixa evidente uma nova configuração do poder em Mato Grosso. Famílias que por décadas ocuparam posições centrais perderam espaço, enquanto novos grupos e lideranças passam a disputar protagonismo no Estado.
Mais do que uma simples troca de nomes, o resultado das urnas pode marcar o início de uma nova fase da política mato-grossense — com antigos protagonistas fora do centro das decisões e uma nova geração assumindo espaço no cenário eleitoral.



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