O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), prepara sua saída do comando da equipe econômica do governo Luiz Inácio Lula da Silva. A decisão ocorre após semanas de pressão política e discussões internas sobre seu futuro eleitoral.
Haddad chegou a informar à imprensa que fevereiro seria seu último mês no cargo. Posteriormente, decidiu permanecer por mais algumas semanas e deve deixar a função ainda neste mês. A expectativa no governo é que ele dispute o governo de São Paulo nas eleições de outubro.
Nos bastidores da equipe econômica, o nome mais citado para substituí-lo é o do atual secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan.
A passagem de Haddad pela Fazenda também é acompanhada por um legado tenebroso, de total crescimento da dívida pública. Dados oficiais indicam aumento contínuo do indicador nos últimos anos.
Quando Haddad assumiu o ministério, em 2023, o Banco Central registrava dívida bruta equivalente a 71,7% do Produto Interno Bruto. O percentual passou para 74,3% ao fim do primeiro ano da atual gestão e chegou a 76,1% do PIB em 2024.
Em novembro de 2025, o indicador alcançou 79% do PIB. Projeções do Tesouro Nacional apontam dívida de 81,7% do PIB em 2026. Estimativas do relatório Prisma Fiscal indicam possibilidade de o percentual chegar a 84,9% do PIB.
Diante desse quadro, a estratégia de recomposição fiscal adotada pelo governo concentrou esforços no aumento da arrecadação. O movimento gerou desgaste político e levou adversários a apelidarem Haddad de “Taxad”.
Entre as medidas adotadas estiveram a reoneração gradual dos combustíveis e a aprovação da Lei nº 14.754/2023, que alterou a tributação sobre fundos exclusivos e investimentos em offshores.
Outra frente de disputa ocorreu em torno da desoneração da folha de pagamentos. A tentativa de encerrar o benefício provocou reação no Congresso e em setores empresariais. Após semanas de negociações, o governo recuou e sancionou a prorrogação da política.




