Vendedora suspeita de esquema de desvio de carros que movimentou R$ 50 milhões se entrega à polícia em MT
Vitória Sara Bezerra Lupatini, conhecida como "Sarinha da Toyota", se entregou à polícia na tarde desta quinta-feira (27), em Sorriso, a 420 km de Cuiabá. A jovem, que estava acompanhada de um advogado, é apontada pela Polícia Civil como "peça central" de um suposto esquema de desvio de veículos que teria movimentado cerca de R$ 50 milhões em um ano.
Vitória é alvo da Operação Pátio Paralelo, deflagrada nessa quarta-feira (26), e deve responder pelos crimes de furto qualificado e associação criminosa.
Segundo a investigação, Vitória trabalhava como vendedora de uma concessionária e teria movimentado R$ 8 milhões em uma conta bancária pessoal no período de um ano. Ela é apontada como responsável por captar clientes, conduzir negociações, receber veículos, indicar contas para os pagamentos e movimentar os recursos.
O delegado Thiago Meira, responsável pela investigação, informou que a suspeita será ouvida nesta sexta-feira (28). Ao g1, a defesa de Vitória Sara, representada pelo advogado Willian Puhl, informou que irá solicitar um habeas corpus e que ela irpa permanecer em silêncio durante o interrogatório.
"Vamos entrar com habeas corpus, acompanhar o procedimento, amanhã tem o interrogatório dela, mas como não tivemos acesso a todo o material produzido, nesse momento ela irá permanecer em silêncio e vamos aguardar a decisão da Justiça", declarou.
Ainda conforme o delegado, celulares apreendidos durante a operação e dados obtidos por meio de quebras de sigilo bancário devem ajudar a aprofundar a investigação. Outros suspeitos já foram interrogados e negaram participação nos crimes.
A polícia também apura a possível participação de outras pessoas no esquema. Vitória ainda é investigada por suspeita de envolvimento em outros possíveis crimes em Sorriso.
Até o momento, o prejuízo às vítimas é estimado em R$ 2 milhões, mas a polícia acredita que o montante pode aumentar conforme novas denúncias forem registradas. Entre 15 e 20 possíveis vítimas já foram identificadas.
Como funcionava o esquema
Segundo a investigação, os suspeitos teriam usado a estrutura e a credibilidade de uma concessionária de Sorriso para atrair clientes durante aproximadamente um ano. A própria empresa é apontada como a principal vítima do esquema.
Os clientes entregavam veículos usados como parte da entrada na compra de carros novos. No entanto, em vez de seguirem o fluxo comercial da concessionária e terem os valores descontados das negociações, esses automóveis teriam sido encaminhados a outras garagens relacionadas aos investigados.
A investigação aponta ainda que valores pagos pelos clientes teriam sido transferidos para contas bancárias de pessoas físicas e de empresas ligadas ao grupo.
A suspeita é de que contas de terceiros e empresas tenham sido usadas para movimentar o dinheiro e dificultar a identificação da origem dos recursos. Algumas dessas empresas também teriam sido utilizadas para dar aparência de legalidade às operações.
Mais de 20 ordens judiciais
A Operação Pátio Paralelo cumpre mais de 20 ordens judiciais, entre elas uma prisão preventiva, sete mandados de busca e apreensão, nove decisões de acesso a informações bancárias e cinco determinações de bloqueio de ativos financeiros.
Durante as buscas, os policiais procuraram celulares, computadores, notebooks, tablets, HDs, pendrives, cartões de memória, documentos, contratos, comprovantes de pagamento e outros registros relacionados às negociações investigadas.
A Justiça também autorizou o acesso aos dados bancários, fiscais e telemáticos dos investigados. Com as informações, a polícia pretende reconstruir o caminho percorrido pelo dinheiro, identificar os destinatários dos valores e analisar comunicações e equipamentos que teriam sido usados no suposto esquema. Também foi determinado o bloqueio de valores e o sequestro de bens até o limite de R$ 2 milhões.
A investigação continua para identificar o destino dos veículos e dos valores movimentados, além de apurar se outras pessoas ou empresas participaram do esquema.



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